Momento frio

Lembro os dias ensolarados de inverno em Porto Alegre. Nossa vida toda pela frente e de repente acabou, deu tudo errado, era tudo ilusão, ao menos você eu tenho, meu bem.

Cada cidade onde morei – moramos – parecia um futuro novo e depois virou passado, foi tudo se depositar lá dentro de mim, só pra voltar melancolicamente de tempos em tempos e me entristecer, mas Porto Alegre ficou mais forte na memória, talvez pelas flores na calçada como um tapete azul e o vento na volta do quarteirão fechado.

O irônico é que os ventos e as flores e os cheiros que eu hoje lembro e quero muito nem existiriam, não fosse pela cadelinha que eu passeava. Vencia eu noites gélidas, manhãs de vento forte e frio, experiências que tenho hoje na memória como inesquecíveis, tudo por causa dela. Penso nos milhões de seres humanos fechados em suas casas e que jamais terão essas lembranças, porque não têm um cachorro pra tirá-los da sua mesmice. Penso.

No passado, é tudo belo, mesmo o que deu errado. O que é dar errado? O mundo deu errado, e é tão belo!

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