Vá estudar, seu tolinho!

O mecanismo dos processos sociais é uma verdadeira lição de humildade. Um processo que se iniciou com o lançamento daquele livrinho do Olavo sobre a Nova Era e a Revolução Cultural, termina em atores da Globo chamando as pessoas para a rua. Agora imagine se eles têm noção, por mais mínima que seja, de o que foi que os fez agir assim! Imagine quantas coisas nós fazemos e pensamos, que são semelhantes a isso. Você jura que sabe a origem dos seus pensamentos e das suas ações? Vá estudar, seu tolinho!

O Windows dos sistemas políticos

Depois de milênios e milênios de história humana, chegamos a um sistema político em que as pessoas precisam abandonar o que estão fazendo e sair gritando como macacos pelas ruas, para que talvez quiçá porventura as coisas melhorem um pouquinho. De certo modo subconsciente, uma parcela muito grande da humanidade sabe que isso está errado, daí não quererem sair às ruas para protestar. A democracia contemporânea é como o Windows: é o pior sistema de todos, mas teve o marketing certo na hora certa e então foi adotado por todos. Agora, a coisa sobrevive por inércia e fraca propaganda – e também por falta de concorrência.

Os reacionários

Olavo de Carvalho comenta no Facebook:

“Frei Betto, André Singer e mais dois bonecos de ventríloquo vão se reunir na Apeoesp, dia 21, para discutir a “ameaça conservadora aos direitos sociais”. Têm toda a razão: o direito social de meter a mão nos cofres públicos está seriamente ameaçado. Eles têm bons motivos para estar cagando de medo.”

Pois bem, numa crônica de 1862, Machado de Assis, referindo-se à suspeita ridícula de que haveria uma revolta no dia da inauguração de uma estátua do primeiro imperador, falava o seguinte:

“(…) o ministério estéril, tacanho, ramerraneiro, como é, busca a confiança imperial na prevenção de revoltas imaginárias.”

Vejam vocês como esses comunistas são inovadores. Imitam até mesmo os conservadores. São os reacionários por excelência!

Dor de ausência

Quem respeita a língua é incapaz de negligenciá-la. Sim, porque o que hoje fazem é negligenciá-la. Escreve-se errado, não sem querer, mas de caso pensado, por impaciência e decisão própria. Está-se convicto de que um acento aqui e uma vírgula ali, em mensagens, em e-mails, em posts, não são necessários. Mas quem aprendeu mesmo a escrever não pensa assim, não quer assim – e isso, instintivamente: aquela palavra ali vista sem acento, aquela vírgula ausente, tudo isso dói nalgum lugar dentro de nós, nalgum recanto interior onde moram nossos antepassados e seus empenhos e sofrimentos, nossa humanidade mesma.

Devaneios pretensiosos

Parei de escrever, e parece ter isso coincidido com o advento ou desadvento da rede social. Terei sido engolido finalmente por esse monstro que é a alteridade pessoal? Vejo ali aquelas carinhas todas me olhando e sinto vergonha de me abrir? Pode isso ser? Preciso me esconder atrás, bem atrás do botão de compartilhamento? ali onde as nuvens da impessoalidade cobrem tudo e a gente só vê uma página em branco esperando ser escrita. O botão quer ser premido, clicado. Quer significar que me vão ler, admirar.? Vaidade, sempre ela! No fim de seu caminho, eis que se vê o vazio da inspiração, finalmente enterrada sob essa vasta planície social, cemitério das almas, império palrador dos dedos nervosos e das cabeças distraídas: rede… social…

Beco sem saída

A futilidade insiste, persevera. Quando se pensa que já foi, que cansou, volta ela, oprime. O tédio amarga. Mas antes há esse não sei quê, essa sombra doce e silenciosa de ócio, de não fazer e apenas ser, essa continuidade que arrasta a gente em seu fluxo modorrento e infinito: falsa eternidade, pois que sem sair-se do mundo. Depois sim, vem mesmo o nada que é quando se descobre que ser é tudo, mas não aqui, não neste mundo que é matéria louca por ser trabalhada e transformada. Aqui a gente é, mas pela metade. A outra parte faz, tem que fazer; se não faz, enlouquece e – o que é pior, pior! – entedia-se.