Da bostinha cheirosa em doses homeopáticas, ou Da Estatística

Quando eu digo que a estatística é a coisa mais enganadora que existe, que talvez fosse melhor nem existir, estou falando sério. Todo o mundo se deixa enganar por ela. Aqui em casa, volta e meia, a gente cai em alguma de suas armadilhas, porque ela pega a gente desprevenida. Você está ali jantando descompromissadamente, distraidamente, com a TV ligada, e um joãonalista lança na sua cara aquela bostinha cheirosa, perfumada mesmo, disfarçada de Dolce&Gabbana The One. Você então mistura aquilo com a comida e engole. Quando percebe, já está digerindo e absorvendo.

Ontem mesmo, um desses petistões comentou que o poder de compra do brasileiro é o maior dos últimos 50 anos. Por sorte, tive um insight e pensei: Puta merda! Então o brasileiro tem hoje o mesmo poder de compra que tinha em 1964 (51 anos atrás)? Que desgraça!

A Henriqueta, que estava ao meu lado, já tinha caído na conversa. Não que ela tivesse dado àquilo muita importância, mas a coisa já tinha adentrado seus tímpanos e, sorrateiramente, já se lhe instalava no coração – ou ao menos na mente.

Estatística é assim. O fim da picada. E sem a materialidade do pernilongo, que você poderia ao menos matar com uma daquelas raquetes chinesas miraculosas. É preciso exorcizar a estatística, mandá-la às favas simbolicamente. O que eu deveria fazer é acender uma vela no cantinho-capela aqui de casa, todo dia, pedindo a Deus imunidade. Pensando bem, vou fazer isso já.

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