Diário da hora oca

Conviver para além de casa parece necessário, mas é tedioso como se deu hoje à tarde, não propriamente tedioso mas antes inútil, bobo. É o que eu senti, que eu sinto. Quando me isolo muito, sinto um vazio. Quando porém muito convivo, o cheio é um cheio de areia que entope apenas. As pessoas são pobres, isso influi. Mas a arte é tão rica, o estudo é tanto mais! Largá-los, só vale se for pelo simples, pelo caminhar um cão, o amar durante o jantar, o estar em silêncio ao lado, o sentir uma presença linda humana de quem se ama sem ter de falar, de trocar nadas com cara suposta de algo relevante. Largá-los por aquilo que chamam de os outros, mas outros ocos, não vejo o porquê de fazê-lo. Mas a vida nos leva aonde outros menos livres que nós querem ir, acham que precisam ir, e nós vamos – eu vou. Distraio-me, não nego, mas então que direito tenho eu disso se toda a minha vida é desperdício metade do tempo? Deus me perdoe. Deus nos perdoe.

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