Pensando sobre um livro de Saul Bellow

Sobre o livro The Actual, de Saul Bellow, eu escrevi umas reflexões no Goodreads, em inglês, e depois as completei em português. Seguem abaixo. O que me levou à leitura foi o curso Literatura e Autobiografia, muito bom por sinal, recomendo-o fortemente a quem esteja interessado a viver sua vida pessoal com mais autenticidade, autoconsciência e, conseqüentemente, humanidade.

“I stood back from myself and looked into Amy’s face. No one else on all this earth had such features. This <i>was</i> the most amazing thing in the life of the world.” [p. 104]

I think what makes this book great is not that it is a love story or the story of two lives that come to accept each other, but rather that this acceptance is a spiritual one and therefore eminently REAL. Harry and Amy are always present to one another, always mutually actual. The other people who they meet in their lives, even husbands and wives, are not actual, even if they are real and present, because actuality is inside us. One can be with another person physically but not be with this person in actuality, i. e., spiritually connected or REALLY connected. That’s where the “magic” is. And what we sometimes call the magic of love is nothing more than the reality which is right in front of us but we refuse to see. It’s something simple, but then we’re so complicated that we don’t come to see it and accept it.


Escrevi mais coisas sobre o livro depois de conversar sobre ele com um amigo, então acrescento-as a esta resenha. Eis:

A vida dos personagens é um pouco diferente da minha, mas isso é interessante, porque funciona como uma “hiperbolização” da história, o que dá mais força às experiências e as torna mais “visíveis” a mim, o leitor. Eu vivi experiências semelhantes às deles, mas em grau reduzido de intensidade, digamos assim.

A prosa do Bellow é muito bonita, e isso não se transferiu para a tradução brasileira. É bonita de um jeito simples. Não há muita estetização, mas a leitura flui com suavidade, é como se estivéssemos ouvindo alguém falar, e falar perfeitamente claro, sem tropeços nem gaguejadas. Nas traduções portuguesas de que eu andei lendo trechos, isso aparece mais, porém não nas brasileiras. Alguém precisa ainda escrever um livro sobre a superioridade das traduções lusas sobre as brasileiras.

Sobre a mensagem do livro, acho que o título da tradução lusa revela bem a idéia: “A autêntica”. Eu traduziria não exatamente assim. Traduziria como “Autenticidade”. Seria perfeito, pois transmitiria aquilo que a Luciane fala na aula, todos aqueles significados da palavra “actual”. Pois a mensagem do livro é justamente isso, ou seja, a autenticidade do amor verdadeiro, que não depende de sentimentalismos ou de um romantismo medíocre, mas simplesmente de uma empatia profunda, essencial, em cima da qual se exerce – sem limites e sem a necessidade sequer da presença física – a imaginação de quem ama. É quando o protagonista reconhece isso, ou seja, quando ele aceita aquilo em si mesmo, que ele consegue transformar a potência de seu amor em ato.

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Infopaciência

Computadores são subcriaturas burrinhas. A ignorância desse fato dificulta o aprendizado da informática. O usuário de computador que acredita piamente no que este lhe diz dá-se muito mal, pois essa máquina limitada pode ser incapaz de identificar até mesmo seus próprios erros. Assim, quando ela lhe diz que “o arquivo não pôde ser aberto” porque está “corrompido”, talvez o problema seja a presença de um sinal de ponto e vírgula no nome do arquivo. Apague o sinal e o programa, com a maior cara lavada, abrirá o arquivo normalmente! Da mesma forma, quando você procura um livro numa biblioteca virtual digitando seu título, pode ser que não apareça nada e que o livro pareça raríssimo. Então você experimenta digitar apenas duas das palavras do título e o sobrenome do autor. Repentinamente, surgem milhares de ocorrências e você então descobre que a palavra que você suprimiu fora digitada erradamente pelo funcionário que catalogou o livro, ou que simplesmente ela era acentuada e o “sistema” (ah, o sistema!) transformou a sílaba acentuada em um &aotc%#, ou algo semelhante.
É preciso ter paciência com os computadores, não menos que com os homens que os criaram.