Corda de violino ou tanguinha enfiada?

enter image description here

É, minha gente. A vida do tradutor às vezes é complicada. Num momento você está ali traduzindo numa boa, com o ritmo do dia em ordem, as laudas rendendo bem. Mas eis que, de repente, surge aquela expressão, aquele termo que vai dificultar a sua vida, empatá-lo por sei lá quanto tempo. Depois de umas duas horas pesquisando no Google e em dicionários, quiçá será preciso até comprar livros para pesquisar-lhes o conteúdo e então, talvez, solucionar o problema.

Vejam um ótimo exemplo disso. Temos aqui um trecho de “Mr. Sammler’s Planet”, de Saul Bellow, onde o autor emprega o termo “G strings”. O dicionário é bem claro. Segundo ali se diz, trata-se de: “A garment consisting of a narrow strip of cloth that covers the genitals and is attached to a waistband, worn as underwear or by striptease performers.” Ou seja, ele está falando daquele “tapa-sexo” que as solteiras em despedida costumam ver nas casas de strip-tease masculinas e que, aqui no Brasil, podemos ver em todas as praias, com adaptações.

Então, qual é o problema? Bem, o problema é que tradutores são pessoas cultas (cof, cof, cof!) e o termo “G string” foi celebrizado em inglês por ninguém menos que Bach e sua composição para violino conhecida nessa língua como “Air on the G string”. O resto é tragédia! Como vocês podem ver, somente o tradutor português e o francês não foram enganados. O espanhol e o brasileiro caíram como patinhos.


Original:

enter image description here

Tradução francesa:

enter image description here

Tradução espanhola:

enter image description here

Tradução lusa:

enter image description here

Tradução brasileira:

enter image description here


Advertisements