Sobre a invasão islâmica do Ocidente

Sobre a invasão islâmica do Ocidente

Gostaria de tratar aqui, muito superficialmente, desse problema gravíssimo que atinge diretamente o Ocidente cristão (ou o que resta deste): a imigração islâmica. Como não me sinto minimamente preparado para falar do assunto, limito-me simplesmente a transcrever comentários de um amigo e colega de trabalho, a quem muito estimo, e que se converteu ao islã mais ou menos recentemente.

Semana passada eu publiquei um post sobre uma carta aberta de líderes islâmicos contra o neo-islamismo (grosso modo), publicada no ano assado. Foi este post:

https://www.facebook.com/evandro.ferreira/posts/10207910108049973

Minha intenção era dar uma chance ao diálogo, pois tenho visto que as reações a tudo isso, aqui no Facebook e na Internet “conservadora” em geral, praticamente se resumem a um “matem todos eles” ou, mais “moderadamente”, “fechem-lhes as portas do Ocidente”. Por favor, não me interpretem mal. Não sou um simpatizante ingênuo de um islã genérico e bonzinho construído pela mídia. Por outro lado, também não gosto de explicações fáceis e tomadas de posição absolutas e incondicionais. Deixo isso para o povo. Na condição de alguém que nutre aspirações intelectuais, tenho consciência de que existe uma hierarquia entre os membros de uma sociedade e que as muitas pessoas desempenham papéis diferentes no mundo. O meu papel não é o de manifestante impetuoso, mas de analista teórico, ainda que ignorante e limitado. Portanto, quero deixar aqui bem claro que não sou “contra" manifestações anti-islâmicas de qualquer tipo, assim como não sou "contra o islã”. Tudo isso é metonímia e, se possui seu papel no processo histórico, não pode determinar análises adultas desse processo.

Pois bem, a carta a que me referi é a que está neste link:

http://www.lettertobaghdadi.com

Nos comentários do meu post onde figurava a carta, meu amigo Marcelo escreveu o seguinte:

"Evandro, essa carta foi publicada em setembro do ano passado, dois meses depois do al-Baghdadi ter se declarado khalifa. Semana passada um dos sábios mais famosos e respeitados do Islam tradicional publicou um livro em inglês detalhando as razões pelas quais o ISIS não é islâmico. Ele está pagando do próprio bolso traduções para as principais línguas do mundo (eu inclusive devo fazer essa tradução para o português). Aqui no Marrocos, todos os sermões das principais festas são contra o salafismo, o terrorismo e o ISIS. No campo militar, o rei da Jordânia tem feito o que pode para conter o avanço do ISIS. Enfim, um pouco de pesquisa sobre as reações do Islam tradicional contra essa contrafação de Islam que é o ISIS não faz mal a ninguém."

(…)

"A primeira coisa é fazer as devidas distinções entre os tipos de Islam que existem no mundo islâmico. Uma coisa é o Islam tradicional, majoritário, sunita. Outra coisa é o salafismo cujo ninho foi e é a Arábia Saudita (apoiada em sua fundação pela Inglaterra e depois, até hoje, pelos Estados Unidos) e cujos brotos são a Al Qa'ida e o ISIS."

(…)

"Outra coisa é olhar bem para os lugares onde o chamado "jihadismo" está proliferando. São exatamente os pontos onde houve intervenção militar norte-americana e europeia (Afeganistão, Iraque, Síria, Líbia)."

Em resposta a um comentário em que um outro colega questionava que, no caso do Afeganistão, também a URSS financiou o armamento dos muçulmanos, o Marcelo respondeu:

“(…) quem financiou e armou os jihadistas para lutar contra os soviéticos foram os norte-americanos. Depois de um tempo esses jihadistas se tornaram mundialmente famosos com o nome de Taliban. O mesmo filme se repetiu agora na Síria."

Prosseguindo, observou ainda:

"Existem muitíssimas condições para que uma guerra qualquer possa ter status de jihad (guerra santa). Uma das primeiras é que ela seja declarada como tal por uma autoridade legítima. Nem o ISIS nem a Al Qa'ida nem nenhum outro grupo "jihadista" têm essa autoridade, de modo que, do ponto de vista islâmico tradicional, a guerra que eles movem não é jihad de modo algum, mas um simples massacre pelo qual eles terão de responder perante Deus."

"Mais sobre as condições do jihad neste artigo, escrito por muçulmanos tradicionais:

http://islamicsupremecouncil.org/understanding-islam/legal-rulings/5-jihad-a-misunderstood-concept-from-islam.html

E mais um documento sobre o mesmo tema, detalhando o entendimento clássico de jihad e escrito por um dos grupos que mais tem se esforçado para esclarecer para o Ocidente os princípios do Islam tradicional:

rissc.jo/books/en/003-Jihad-Islamic-Law-War.pdf

Somente mais um esclarecimento, reproduzindo o que escrevi no e-mail: 'Chamar a questão dos refugiados de "estratégia" é uma visão parcial do assunto. Com certeza, para o pessoal do ISIS — para cuja vinda o Profeta Muhammad alertou e que ele chamou de "cães do inferno" — a expulsão daquela gente faz parte da estratégia geral de criar caos em escala global, estratégia essa que eles não dissimulam e até divulgam em sua revista. Porém, a imensa maioria das pessoas que está tendo de emigrar não está cumprindo "estratégia" alguma — está apenas fugindo da guerra, do saque e da tirania. Botar todo o mundo no mesmo saco é de uma falta de honestidade intelectual — para não dizer sensibilidade humana — lamentável. Não que eu compactue com o mimimi da imprensa sobre a frieza e maldade dos europeus, pois eles também têm os interesses deles para proteger. Mas é preciso equilíbrio para falar dessas coisas, é preciso cuidado para não cair em chavões de pensamento para um lado e para outro.’"

E, finalmente:

"O livro que eu mencionei é do Sheikh Muhammad al Yaqoubi:

http://www.amazon.com/Refuting-ISIS-Religious-Ideological-Foundations/dp/1908224126

Tanto ele como muitos outros sábios conhecidos e respeitados têm aberto a boca para atacar o ISIS, inclusive correndo perigo de vida (e até perdendo a vida) nas regiões ocupadas. Se você quiser conhecer, pesquise estes nomes: Habib Ali al Jifri, Abdal Hakim Murad, Abdallah Bin Bayyah, Abdullah Bin Hamid Ali — seria cansativo enumerar todos aqui."

Além de tudo isso, há muitas outras questões, muitos outros pontos a serem tratados. Infelizmente, não tenho capacidade de tratar deles. Mas nem por isso eles deixam de ser importantes, obviamente. Todo esse problema se inscreve no processo de destruição da tradição cristã ocidental, um processo que começou desde dentro. Se hoje os muçulmanos nos estão oprimindo, os culpados disso somos nós mesmos. Na condição de cristãos, acredito que devemos exercer oposição a eles, embora eu não esteja certo sobre de que forma essa oposição deva se dar nem se ela deve ser total, parcial, diplomática ou violenta. Mas também temos de aprender com eles, e muito!

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One thought on “Sobre a invasão islâmica do Ocidente

  1. Muito interessante como esses muçulmanos sufis-guenonianos falam sempre sobre um tal islã ‘tradicional’, totalmente idealizado e composto de personagens fictícios como o Maomé de Martim Lings. Já a realidade, das hadits, narra que o grande profeta escondeu-se debaixo das saias da mulher quando viu um anjo (e não nos esqueçamos que os demônios tb são anjos, caídos, mas anjos), e entre tantas outras histórias tenebrosas de massacres e estupros das mulheres dos infiéis, além de pedofilias, passou desapercebida a relação do poeta Kab bin Al-Ashraf, assassinado a mando de Maomé por conta de uma poesia que o ridicularizava, com as vítimas do caso Charlie Hebdo. É a mesmíssima coisa! Os assassinos dos jornalistas franceses apenas estavam seguindo as mesmíssimas ordens que um dia Maomé deu para assassinar um poeta que tinha como desafeto e o ridicularizava…

    Não existe essa coisa chamada Islã tradicional, moderado e pacífico. Basta ler o Corão e as Hadiths para que as escamas caiam dos olhos. Chega desse ecumenismo seletivo e façamos como São Francisco de Assis que, mesmo sendo um homem bastante pacífico, não hesitou em colocar o dedo na cara do califa.

    Em suma: nem tudo que reluz ouro, meu caro.

    Translation of Sahih Bukhari, Book 59:, Military Expeditions led by the Prophet (pbuh) (Al-Maghaazi)

    Volume 5, Book 59, Number 369:

    Narrated Jabir bin ‘Abdullah:

    Allah’s Apostle said, “Who is willing to kill Ka’b bin Al-Ashraf who has hurt Allah and His Apostle?” Thereupon Muhammad bin Maslama got up saying, “O Allah’s Apostle! Would you like that I kill him?” The Prophet said, “Yes,” Muhammad bin Maslama said, “Then allow me to say a (false) thing (i.e. to deceive Kab). “The Prophet said, “You may say it.” Then Muhammad bin Maslama went to Kab and said, “That man (i.e. Muhammad demands Sadaqa (i.e. Zakat) from us, and he has troubled us, and I have come to borrow something from you.” On that, Kab said, “By Allah, you will get tired of him!” Muhammad bin Maslama said, “Now as we have followed him, we do not want to leave him unless and until we see how his end is going to be. Now we want you to lend us a camel load or two of food.” (Some difference between narrators about a camel load or two.) Kab said, “Yes, (I will lend you), but you should mortgage something to me.” Muhammad bin Mas-lama and his companion said, “What do you want?” Ka’b replied, “Mortgage your women to me.”

    Sem dúvida, Maomé era um homem virtuosíssimo e misericordioso…

    https://archive.org/stream/HadithShahiAlBukhariInEnglish/Sahih_Al-Bukhari_djvu.txt

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