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Archive for February, 2016

Todo o mundo sabe que, hoje em dia no Brasil, é raro que prédios de três andares tenham porteiro fixo, ao menos durante o dia. Todo o mundo, menos os Correios. Esta magnífica empresa jurássica e monopolista possui uma “norma” – ah! que linda palavra! tão linda que até nome de ópera já foi – segundo a qual os entregadores não podem tocar o interfone para entregar aos moradores as encomendas que necessitem de assinatura de recebimento. Quem deve recebê-las e assinar o formulário é o porteiro. Caso não haja porteiro, as encomendas voltam para o depósito, após três tentativas de entrega (preste bem atenção: TRÊS, ou seja, o sujeito tem de voltar ao prédio TRÊS vezes, mesmo sabendo que não há porteiro) e um aviso de chegada é deixado na caixa de correio do edifício.

Agora imagine um bairro inteiramente composto de prédios de três andares sem porteiro. Imagine o entregador voltando três vezes a todos eles, mesmo sabendo que o faz inutilmente, e imagine ainda o coitado do eleitor da Dilma preenchendo centenas de avisos de recebimento toda semana e os deixando nas caixas de correspondência dos edifícios. Pura burrice, não é mesmo? Ainda mais para um sujeito que não ganha por hora de serviço e que, portanto, receberá, ao fim do mês, sempre o mesmo salário, independente do trabalho que tenha.

Imagino, então, que seja por isso que o funcionário dos Correios que trabalha aqui no bairro entregando as tais encomendas necessitadas de assinatura de recebimento tenha-se saído com a brilhante idéia de simplesmente tocar nos interfones dos apartamentos (que nem são tantos assim; nunca o vi entregando mais que umas duas encomendas por edifício, e ainda “pula” vários deles), aguardar lá embaixo por uns trinta segundos, até que os moradores desçam, entregar-lhes as benditas caixinhas e ainda por cima – ó raios! – fazer amizade com os supracitados, a ponto de que até os cachorrinhos destes o reconheçam na rua e façam-lhe festa. Que magnífico desafio, à la jeitinho brasileiro, à burrice estabelecida, não? Que linda forma de humanizar as relações burocráticas. Chego a perdoá-lo por ter votado na Dilma (sim! ele mo confessou, arrependido, certa vez).

Mas há um porém: o brasileiro, geralmente, só aprende apanhando, isso quando aprende. Decerto que meu ilustre amigo se deu conta disso tudo porque, ao tentar cumprir a “norma”, passou pela ingrata experiência descrita acima. Por isso, quando ele sai de férias, eu sempre recebo uma advertência do entregador, naquele tom polido e professoral dos cumpridores de normas burocráticas imbecis, de que ele não deveria estar fazendo o que está fazendo, ou seja, entregando-me minha encomenda pessoalmente, pois a norma… bem, vocês já sabem.

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