Britto e o vidro

Apesar de a tradução brasileira de “Arco-íris da gravidade”, de Thomas Pynchon, ser de Paulo Henriques Britto, um dos poucos bons tradutores deste País, encontrei, logo no início do livro, um trecho tão mal traduzido que chega a ser ininteligível se o leitor não tiver um forte poder de dedução. Vejam, na imagem, se são capazes de compreender a parte em que o narrador fala de um vidro. 


Agora vejam a tradução portuguesa do mesmo trecho:

“É tarde demais. A Evacuação continua a decorrer, mas é tudo teatro. Não há luzes dentro dos vagões. Não há luz em lado algum. Acima dele vigas de elevador tão velhas quanto uma rainha de ferro, e vidro algures muito no alto que deixaria passar a luz do dia. Mas é de noite. Ele receia o modo como o vidro cairá — dentro em pouco — será um espectáculo: a queda de um palácio de cristal. Mas caindo em escuridão total, sem uma centelha de luz, somente grande derrocada invisível.”
 

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One thought on “Britto e o vidro

  1. Sim, sim, e a tradução portuguesa é mais melodiosa; mas… toda escolha de substantivo é mais sugestiva à imaginação na do Britto: “desabamento” em vez de mera “queda” — “lampejo” em vez de “centelha” — “estrondo” em vez da vaga “derrocada” — mesmo o feio “acima de sua cabeça”, provavelmente para “overhead”, é mais eficazmente pictórico do que o conciso “acima dele”, e malgrado a frase do Britto ficar confusa quando chega ao “vidro que deixaria entrar a luz”.

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