A paixão da menininha dos fósforos

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A propósito do post anterior, há uma obra bem interessante do compositor David Lang, que tem um de seus movimentos usado em várias passagens do filme “A grande beleza”. É uma “Paixão” pós-moderna, baseada num conto de Hans Christian Andersen: “A paixão da menininha dos fósforos”. Achei esta matéria sobre a obra.

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A grande vida que poderia ter sido e não foi

 

Assistimos ontem ao filme “A grande beleza”, aqui em casa. Ainda estou traumatizado. É muita tristeza, muito fracasso, e muita beleza, num filme só. Muito sarcasmo, muita ironia, mas que depois se transformam em sinceridade e verdade. Enfim, é muita vida pós-moderna. Deus nos perdoe!

Gostaria de agradecer ao Francisco Escorsim pela indicação.

Como tradutor, e também como simples escrevedor, cultivo algumas inimizades gramaticais. Uma delas é ao pronome pessoal de terceira pessoa, o maldito “ele/ eles”, que domina a mente brasileira mais e mais a cada dia que passa. Sempre que vejo um “ele/ eles” em algo que acabo de escrever, seja como tradutor ou não, o dedinho até coça pra cortar a maldita partícula.
 
O resultado disso, infelizmente, é que eu não consigo mais respeitar quase nenhum tradutor brasileiro nesse quesito. Nenhum deles demonstra qualquer apreço por essa “regra” de ocultar o pronome de terceira pessoa quando possível. Seus dedinhos simplesmente não coçam! Em certas passagens, parecem mesmo cultivar o oposto: parecem esforçar-se por “desocultar” todos os pronomes que puderem. É insuportável!
 
A boa notícia é que os portugueses não são assim. Nossos amigos lusos odeiam o pronome pessoal de terceira pessoa tanto quanto eu. Bem, não o odeiam exatamente; eu tampouco o odeio. Odeio-o somente quando é ocultável (aliás, acabo de ocultar um deles, duas palavras atrás, antes do “é”).
 
Senão, vejamos.
 
A seguir, temos o início da tradução portuguesa de “A presença total”, de Louis Lavelle.

 

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Viram que não há uma única ocorrência do pronome “eles” na passagem? Agora vejam o mesmo trecho, na tradução brasileira, da É Realizações.

 

lavelle nougué

 

Pois é.

A loucura do elogio

A bajulação e o compadrio estão entre as mais sólidas, e abomináveis, características do brasileiro. Os maiores dentre nós cedem a essas tentações. A cada novo dia formam-se, por aqui, novas panelinhas que se organizam em torno dos esforços de afirmação por oposição invejosa e de afetação de superioridade. E o pior: sempre é possível atribuir ambos os traços à panelinha oposta e sair bem na fita.
 
Deus me livre de elogiar gente que não merece.