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Archive for November, 2016

Uma lembrança

Deixei a inocência no passado. Posso vê-la me acenando de algum lugar dos anos noventa. Também lá deixei uma alegria pura, sem preocupações. Não que eu tenha motivos de preocupação, o futuro a Deus pertence. Mas é mais forte que eu. Não posso evitar. Nem que seja uma preocupação com o passado, uma pós-ocupação, de lembrar e pensar e ver tanta coisa atrás de mim e eu aqui ainda sem saber o que sou e para onde vou. Se o Céu é um lugar perfeito, deve ser como uma lembrança.

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Fui tirar um cochilo às sete da noite. Minha cadelinha, feliz da vida, enfiou-se embaixo da cama e eu pude ouvir suas bufadas. Depois se espreguiçou e eu fiquei ali sentado, lendo um pouco até o sono chegar. Acordei às oito ouvindo um pernilongo. Quando acendi a luz, sumiu, como costuma acontecer. De novo no escuro, acabei matando-o com um tapa no travesseiro. Meu Deus! Que loucura é a vida. Toda uma eternidade de alegria ou tristeza pela frente, de Céu ou de Inferno, anjos e demônios lutando pela salvação ou danação das almas, e a gente aqui cochilando com bicho de estimação e matando pernilongo no escuro! Tendes noção do tamanho da besteira que fizeram Adão e Eva?

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Pretérito perfeito

A foto aí de cima sou eu por dentro, muitas vezes. Menos ou mais do que eu gostaria, dependendo do dia. Nas minhas memórias mora um monte de ruínas. Coisa de quem nasceu em Brasília (talvez já tenha dito isso aqui) e passava as tarde de domingo andando de bicicleta entre os prédios ermos de concreto sujo. Isso entrou em mim, de algum modo. Sinto uma paz interior em lugares ermos, abandonados até. Fico feliz. Até o lazer, na minha infância, era numa paisagem de ruínas. As quadras de futebol de salão eram esburacadas, com grama nascendo entre as placas de concreto já quase sem tinta, as traves do gol meio tortas, sem rede, como as cestas de basquete, quando existiam ainda. Foi nesse ambiente que eu fiz amigos, amei meninas, sofri e fui feliz. A gente cresce no meio da feiúra e nem sabe, ama no concreto e sonha nas ruínas e nem se dá conta disso. Talvez por isso minha alma parece seca, às vezes. Mas me lembro de tudo aquilo e quero viver de novo, passar pelo mesmo, não escolher um mundo diferente de jeito nenhum.

Ai, que alívio escrever isso aqui.

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Ausência

Trago o teu amor comigo como um mistério. Quando não estás aqui, é como se estivesses dentro de mim. As coisas estão cheias de uma presença que é não. Viver contigo é um alívio.

De outro modo, distraio-me com umas músicas, beijo nossa cadelinha, mas a tua ausência me desvanece. Parece que levaste contigo as minhas energias e o que sobrou não é meu, mas teu. Se é isso o amor, então é um perder-se no outro, um mergulho de esquecimento meio louco, e na volta eu não sei mais quem sou sem você. É um anular-se que enriquece, mas que também faz sofrer. Se o próprio Deus não sagrasse essa união, eu diria que é insanidade confundir-se assim com outra pessoa.

Mas no fim é a alegria. Quando retornas, tudo volta ao normal e então nos esquecemos de toda essa loucura e apenas somos, juntos, para sempre.

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