Short Fiction 00001

Introduziu-se uma pausa no que estava fazendo, e durou tempo o bastante para que ele pusesse em questão todo o sentido da vida. Isso vinha acontecendo com cada vez mais freqüência, juntamente com um sensível aumento das horas diárias de sono. Era quase como se dormir fizesse mais sentido que estar acordado, neste mundo suspenso em que vivia, pacato, num idílio cerceado pela incerteza de um futuro que nem lhe importava, mas que se anunciava, de todo modo. Rezar o terço e dormir. Sonhar com a morte? Qual nada! Sonhava mil coisas, aventuras desconexas recheadas de símbolos enganadores. E acordava no outro dia cheio de uma esperança sóbria, burguesa. Enxergava, no dia que começava, todo um conjunto de oportunidades de fazer pequenas coisas pouco planejadas, dessas que são as que mais prazer nos proporcionam porque sabemos que um planejar demasiado é sinal de falta de fé na Providência. Mas será mesmo?

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