Cemitério maldito

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Assisti a muitos filmes quando era criança e, depois, adolescente – principalmente depois da popularização do videocassete (sim, eu sou velho desse tanto). O primeiro videocassete que meu pai comprou ficava no meu quarto. Eu passava as tardes e as noites vendo filmes e comendo biscoitos ou lanchando. Meus pais, porém, nunca viam filmes comigo e com meus irmãos. Não víamos filmes em família. Até que um dia tentamos fomentar esse hábito chamando meus pais para assistir a este filme. Não lembro quem chamou, se eu ou meu irmão do meio. Só me lembro vagamente de que houve uma espécie de empenho moderado de nossa parte para que meus pais assistissem a este filme conosco, pois tínhamos gostado muito dele e meu pai, se não me falha a memória, tinha-se interessado também, ao ver algumas cenas, de passagem, em alguma das inúmeras vezes em que o víramos.

Pois bem, acontece que se tratou de uma GIGANTESCA ingenuidade de nossa parte. Jovens inocentes que éramos, nem nos passava pela cabeça (apesar de sabermos do fato) que o nosso irmãozinho, o primeiro filho de nossos pais, morrera atropelado por um caminhão, na frente da casa deles. Por um descuido da babá, ele atravessara a rua correndo ao ver minha mãe do lado de lá! Pra piorar, a idade dele quando morreu era exatamente a do menino do filme. Meu pai ficou revoltado ao ver a cena e se retirou do quarto. Minha mãe, de quem hoje admiro a calma que teve na ocasião, nos explicou que nosso irmãozinho tinha morrido daquela maneira e nos disse que era muito triste e traumático para eles assistir àquele filme conosco.

Minha memória pode me estar passando a perna em alguns detalhes, mas o principal foi isso. E hoje, depois de ter-me tornado pai, compreendo a enorme, incomensurável tristeza que meus pais devem ter sentido quando meu irmãozinho morreu daquela maneira tão trágica e os respeito ainda mais por terem superado esse trauma em sua vida – não, obviamente, sem percalços – e ainda terem criado mais três filhos. Tudo o que eu fiz e farei nesta porca vida foi e será completamente insuficiente para agradecer-lhes o que fizeram por mim. Tudo o que qualquer filho faça na vida é nada diante da dedicação de um pai e de uma mãe amorosos. Mas o mais incrível (agora, que sou pai, percebo isso) é que um pai não espera nenhum ato de agradecimento do filho. O simples fato de vê-lo viver já o satisfaz. Acho que a vida é um milagre tão grande que a gratidão que um pai sente por ter botado um filho no mundo já lhe traz toda a felicidade que um ser humano é capaz de sentir e compreender. O que quer que venha a mais está muito, muito além do que merecemos. Curioso fato este, de os seres humanos não se merecerem uns aos outros…

Estadão mente sobre o ESP

Percebam a desonestidade do Estadão. A manchete diz: “Escola Sem Partido completa 1 ano em cidade do interior paulista e não tem efeito prático”.

O subtítulo já revela, parcialmente, a desonestidade da manchete: “Em Pedreira, primeira cidade a adotar legislação, professor ‘não pode incitar alunos a participar de manifestações’. Prefeito fala em ‘caráter preventivo’ e sindicato vê medida como inócua”

O primeiro parágrafo faz o resto do serviço: “O programa Escola Sem Partido completa um ano este mês em Pedreira, no interior paulista, sem registrar nenhum caso em que a lei tivesse de ser invocada.”

Ou seja, o “não tem efeito prático”, longe de ser um fato, é a OPINIÃO do… sindicato! O FATO é que não houve caso em que a lei (na verdade não é uma lei, mas deixemos este outro erro pra lá) tivesse de ser invocada, logo não parece ter havido abuso por parte dos professores.

A rigor, não há notícia nessa matéria. Até porque o Escola sem Partido só exige que se coloque um cartaz com as “regras” em sala de aula. Logo, não há como auferir efeitos práticos, senão comparando-se o número de casos de abuso antes e depois de pregado o cartaz. Como, antes, não havia registro desses casos, não há como auferir nada.