Caminhos

Este problema atingiu as profundezas do meu coração, que está agora jorrando um sangue amargo, com gosto de tudo aquilo que poderia ter sido e que não foi na minha vida, e que, para ser (mesmo mal e porcamente), vai dar um trabalhão lascado.

Resuminho

O homem moderno vê o medo e a culpa como obstáculos (donde se verifica que sua ideia de felicidade está no controle e no poder). A culpa ele quer abolir, negando sua existência e, consequentemente, atribuindo a si próprio apenas direitos e nenhum dever (como se isso fosse possível numa sociedade). O medo ele quer abolir erigindo o Estado e a ciência como garantidores de uma segurança e de um bem-estar sem limites, que o tornem um sentimento inútil.

Mas como, para realizar esse projeto, o homem tem de dar ao Estado e à ciência total controle e poder sobre ele, resta-lhe, para se dizer feliz, fingir hipocritamente que sua submissão e seu medo em relação a esses dois entes que o dominam e controlam se dá por livre e espontânea vontade, sem violência e sem medo.

Como não conseguimos fingir para nós mesmos e sermos racionais e autoconscientes ao mesmo tempo, resta uma única solução: o esvaziamento da razão e a transformação do homem num autômato auto-enganante pleno de falsa liberdade.

A boa culpa

As pessoas acham que a felicidade depende da abolição da culpa. Pensam assim porque não compreendem (diria que muitas nem mesmo conhecem) pensamentos como este, de São Padre Pio de Pietrelcina, sobre Jo 14, 27ss:

O Espírito de Deus é espírito de paz; mesmo quando cometemos os mais graves pecados, Ele faz-nos sentir uma dor tranquila, humilde e confiante, devido, precisamente, à Sua misericórdia. Ao invés, o espírito do mal excita, exaspera e faz-nos sentir, quando pecamos, uma espécie de cólera contra nós; e no entanto o nosso primeiro gesto de caridade deveria justamente ser para com nós próprios. Portanto, quando és atormentado por certos pensamentos, tal agitação não te vem nunca de Deus, mas do demónio; porque Deus, sendo espírito de paz, só pode dar-te serenidade.

[Re]conversão

Hoje em dia, nem os católicos são católicos. Um dia desses um amigo meu postou este vídeo aí, em que Ralph Martin, um americano autor de um livro chamado “The New Evangelization”, observa que a “evangelização” hoje se aplica não só aos ateus, mas até mesmo aos católicos batizados. A grande maioria dos católicos batizados vivem como ateus e ignoram completamente as práticas e os dogmas de sua fé. Aliás, muitos deles nem tem fé alguma.

Muitas dessas pessoas, segundo observa Martin, acham que o inferno não existe – ignoram a questão da soteriologia (ciência que estuda a salvação das almas) e pensam, portanto, que todos os indivíduos razoavelmente bons e honestos vão automaticamente para o “céu”.

Por experiência própria (pois eu mesmo estou me reintegrando à fé da qual nunca deveria ter saído), eu posso afirmar que muito católicos hoje precisam passar por um processo de conversão para poderem realmente dizer que são católicos.

Quem quiser divulgar a fé cristã hoje e trazer seus amigos consigo, precisa informar-lhes que não basta acreditar que Deus existe, pois disso a própria razão é capaz. Nesse sentido, a palavra “acreditar” nem mesmo se aplica, pois a existência de Deus é racionalmente verificável, e as pessoas hoje só não admitem isso porque sua mentalidade está impregnada de cientificismo, que é uma crença estupidificante que faz o ser humano acreditar que empirismo matematizável é sinônimo de razão e que as ciências exatas possuem o monopólio da razão.

E por que não basta saber que Deus existe? Porque há uma coisa chamada salvação das almas, que não está garantida pela simples consciência de que Deus existe. Teoricamente, isso até seria possível para um índio, por exemplo, ou para qualquer pessoa que não tenha conhecimento da Revelação. Porém, a partir do momento que um indivíduo fica sabendo que Jesus Cristo veio à Terra, proclamou-se filho de Deus e ressuscitou para provar que dizia a verdade, esse indivíduo não tem mais o direito de furtar-se à Graça, pois Jesus exigiu que aceitássemos a Graça, sob pena de não nos salvarmos.

Ah, e não adianta dizer: “não acredito no cristianismo”, pois o fato de que Jesus Cristo é o filho de Deus também é matéria de prova racional – para isso estão aí os relatos históricos da ressurreição, que só não são aceitos como tal hoje em dia pelo mesmo motivo citado acima: cientificismo.

Quem não aceita essas coisas está em perigo e tem a obrigação de, acima de tudo, estudar estudar estudar.