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Archive for the ‘Devaneios’ Category

Basília de Santa Maria Maior, em Roma

Basília de Santa Maria Maior, em Roma

O ateu e o deísta não compreendem por que o católico precisa da Igreja. Ora, precisamos dela porque ela é o próprio Cristo, o próprio Deus, e nossos olhos não vêem o que deveriam ver, como nos explica São Leão Magno, papa:

Nisto consiste, efetivamente, o vigor das grandes almas e a luz dos corações fiéis: crer, sem hesitação, naquilo que não se vê com os olhos do corpo, e fixar o desejo onde a vista não pode chegar. Como poderia nascer esta piedade, ou como poderíamos ser justificados pela fé, se a nossa salvação consistisse apenas naquilo que nos é dado ver?
Na verdade, tudo o que na vida de nosso Redentor era visível passou para os ritos sacramentais; e para que a nossa fé fosse mais firme e autêntica, à visão sucedeu a doutrina, em cuja autoridade se devem apoiar os corações dos que creem, iluminados pela luz celeste.

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Felicidade

O segredo da felicidade é ser capaz de ver as coisas como elas são e mesmo assim não se deprimir.

Ah, tem também a felicidade fake do wishful thinking, aquela dos livros de auto-ajuda ruins. Sim, porque ATÉ auto-ajuda tem boa e ruim.

A felicidade fake do otimista funciona bem para ele próprio. No âmbito da sociedade, porém, a existência do otimista tende a reduzir a felicidade geral, já que provavelmente ele será mais um idiota útil a serviço dos mal-intencionados.

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ruínas

 

Sou um filho de Brasília no entre ditaduras. Minhas lembranças são formadas basicamente por prédios públicos desertos nos fins de semana, caminhadas e pedaladas numa cidade deserta, árvores secas, fórmulas matemáticas, domingos de crepúsculo na janela do meu quarto com Dire Straits e Legião ao fundo, férias em planetas distantes.

Brasília hoje é outra coisa. Toda cidade em que se nasceu torna-se outra coisa, mas Brasília é diferente. Brasília já existia igual a hoje, mas as pessoas não estavam ali. Chegaram na época do Lula e nunca mais foram embora. Hoje se acumulam aos milhares e a cidade perdeu sua alma de abandono. Os prédios continuam estragados, as quadras poliesportivas continuam inutilizáveis, mas as ruas estão cheias de carros. Ruínas habitadas não fazem sentido. Ao menos não para mim. Antes Brasília era coerente, hoje é um ontem que virou amanhã e que não me atrai. Prefiro um hippie decadente vendendo colares do que um comunista trabalhador e cervejeiro que ama futebol e compra SUVs a prazo. Chamem-me de nostálgico à vontade. Sinto saudades das ruínas da minha infância, dos bonecos de Playmobil, dos parquinhos de areia onde as crianças brincavam, das mães chamando os filhos do sexto andar dos prédios e das imensidões desertas.

Sobretudo amo as imensidões desertas. A Terra desolada é mais humana que os botecos com cheiro de cerveja onde se empilham os funcionários públicos no happy hour pós-Lula.

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Useless labor

You, the weary laborer, who strive to enrich yourself by vexatious toil, why do you run after riches that cannot be held fast?
You who are rich, who go astray with your riches, possess God, and hate the wealth that after a little while will not be yours. Unquiet soul chasing gold, woe to you for that which spends you with your toiling after it! You who are greedy of mammon, incline your ear this way, and cast aside that grievous load that does you no good.
–Jacob of Serugh, On the Reception of the Holy Mysteries, 648-649

Será realmente possível compatibilizar o cristianismo e a busca pela riqueza? Não parece haver, entre os Santos Padres, nem ao menos um que admita que uma pessoa possa ter bom coração e não doar tudo que tem aos pobres.

O verdadeiro cristianismo é, por definição, cruel com o mundo.

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You cannot get this medicine (Scripture) by paying money for it. But whoever shows a sincere purpose and disposition goes on his way with the whole thing.
For this reason, both rich and poor have the benefit of this healing. Where medicine costs money, the man of means certainly gets the benefit, but the poor man often has to go away without gaining anything. But in this case, since no one can pay money for it, but what is needed is faith and a good purpose, whoever has paid these with a ready mind is the one who most reaps the advantage, since these are the price paid for the treatment.
And the rich and poor share the benefit alike—or, rather, not alike, but often the poor man walks away with more. How can that be? It is because the rich man, already distracted by many thoughts, with the pride and haughtiness that come with wealth, living with carelessness and laziness as his companions, receives the medicine of hearing the Scriptures with little attention or earnestness. But the poor man, who has nothing to do with delicate living and gluttony and indolence, and who spends all his time in physical work and honest labor, gathers much love of wisdom for his soul from this experience, and is likely to pay attention more carefully to everything that is said. So, since he has paid a higher price, he walks away with a greater benefit.
–St. John Chrysostom, Homily Against Publishing the Errors of the Brethren, 1

Gosto de pensar que os “ricos” de quem se fala nas Escrituras e nos escritos dos Santos Padres são na verdade os indolentes, e que os “pobres” são os batalhadores (aqueles que têm força de vontade e trabalham por seus objetivos).

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Cada

A vida tem cheiro de peleja. Vejo pedaços da vida alheia para tirar férias da minha. Depois volto. Sempre há que voltar. Na verdade não se volta, pois já se está – nunca se sai de dentro de si senão em abstrato. Mas não é neste abstrato que está a vida do homem? Em todo caso, pelejo. Cada dia, todo dia, dezenas de ações, pensamentos, centenas, milhares. Canso-me, vou dormir então. Uma tarde, uma manhã: enésimo dia.

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O próximo

[Eric Weil, Filosofia Moral]

Às vezes me parece que descobrir em que consiste o amor ao próximo é tudo o que importa. Eu não sei amar ao próximo. Não sei mesmo? Se não sei direito nem o que é amar ao próximo, como posso saber se sei amar ao próximo? Talvez eu já o ame e não saiba disso.

De todo modo, sinto-me, ou melhor sei-me na obrigação de ama-lo conscientemente e não por acaso, como um animal.

E a obrigação de ajudar as pessoas a usar sua inteligência? Que crueldade, meu Deus! Elas não querem isso, mas você tem que faze-las querer? E como medir o quanto elas não querem isso? Porque se elas não quiserem com uma intensidade muito grande, isso significa que vivemos em uma dessas “situações” de que fala o autor ao fim da citação. Nesse caso não cabe tentar fazer as pessoas usarem sua inteligência, mas apenas recolher-se e tentar preservar em si o legado da Humanidade (com letra maiúscula), enquanto a humanidade (com letra minúscula) se deteriora até sei lá quando.

Jogar pérolas aos porcos é uma fatalidade? Não sei. Só sei que, ao fim, resta o desejo, aparentemente irreprimível, de faze-lo.

“Pérolas aos porcos”? O que estou dizendo? Onde esqueci minha humildade?

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