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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

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Depois que entrei para um coro de canto gregoriano, comecei a conhecer um pouco mais da Igreja Católica no Brasil, pelo lado de dentro. Em poucos meses, percebi que o Cristo está lá atrás na lista das prioridades das pessoas envolvidas no dia a dia da Igreja neste país.

O maior dos absurdos que encontrei até agora foi o da chave da igreja. Sim! a chave da igreja, meus amigos. Para você que pensou que o bem mais precioso da Igreja era a hóstia consagrada e transformada no corpo de Cristo, digo-lhe que se enganou. O bem mais precioso é, digamos, todo o resto que está dentro desses recintos horrendos de arquitetura modernista a que hoje chamamos igrejas. Dezenas, centenas desses recintos permanecem fechados quase toda a semana, e até – pasmem – aos domingos, pelo simples fato de que cada um deles tem uma chave que o abre, e esta chave é da responsabilidade de um católico leigo que não se dispõe a ir abrir a igreja para pessoas que queiram celebrar missa lá dentro, mesmo já tendo estas arranjado padre, coro e tudo o mais. O senhorzinho fulano ou a senhorinha sicrana, detentores das chaves do recinto onde Cristo vem nos visitar, têm mais o que fazer no domingo do que abrir uma igreja para um padre! E não podem ceder a chave a ninguém, pois nem as pessoas que se dispõem a celebrar uma missa, as pessoas que ensaiaram por meses seguidos até aprender um pouco da música milenar da Igreja e que formaram um grupo quase somente com o intuito de organizar missas numa capital deste maldito país, não são de confiança e podem roubar algum objeto lá dentro. Portanto, é melhor que a igreja fique fechada.

Não duvidem do que eu estou falando. É verdade. Aconteceu comigo e com mais alguns amigos várias vezes nos últimos meses. E não pensem que é porque a missa que queremos celebrar é tridentina. Essas pessoas não chegam a esse grau de refinamento, de se oporem a uma missa por ser de um tipo ou de outro. Não, meus amigos, nossa igreja está fechada por motivos de segurança, egoísmo, possessividade, essas coisas bem reles, bem chãs, bem miseravelmente diabólicas mesmo.

Lembre-se disso da próxima vez que passar ao lado de uma igreja fechada. Saiba que em algum lugar da cidade deve haver pessoas que estariam celebrando uma missa ali, e em outro lugar há um senhorzinho ou uma senhorinha ocupados demais para temer a Deus. Esta é a nova Igreja, a Igreja Católica Apostólica Fechada.

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Tão simples e, ao mesmo tempo, tão esclarecedor e tão inspirador. Eu trabalho em casa, e não gosto de sair de casa. Qualquer coisa que eu tenha que fazer fora de casa já me deixa indisposto e irritado. E mesmo dentro de casa, costumo procrastinar. Postergo com freqüência as pequenas tarefas e até o trabalho. Parece que umas coisas vão gerando as outras: o postergar as tarefas de fora de casa me estimula a postergar as de dentro. E o postergar o trabalho faz este se acumular e ficar atrasado, o que, por sua vez, me faz postergar as pequenas tarefas sob a justificativa de que tenho de trabalhar porque o trabalho está atrasado. E assim o círculo vicioso vai-se prolongando ad aeternum.

Mas uma homilia como essa faz a gente pensar. Quero dizer, eu já pensava. Sei que acumulo esses pecados veniais. Mas não sabia, pelo menos não com tanta consciência, que por isso eu talvez deva estar comungando mal. Não considero, aliás, que esteja comungando mal (na medida das minhas possibilidades, claro), mas certamente poderia comungar melhor. Só comungo aos domingos.

Por outro lado, o próprio fato de eu ter descoberto um grupo de WhatsApp em que se compartilham homilias de uma paróquia do Mato Grosso (e, conseqüentemente, ter ouvido esta homilia) – que foi quase inteiramente casual, pois vi por acaso um comentário da Fabianna num post de um amigo – talvez já seja Deus me dando um presente, uma ferramenta para que eu vença os meus pecados veniais. E quantas ferramentas Deus já me deu! Desde que eu voltei para a Igreja (há coisa de uns dois anos) e até antes, desde quando se iniciou o meu processo de reconversão, fico pasmo com a quantidade de presentes que Deus me envia, quase diariamente, sob a forma de coincidências, oportunidades e satisfações que me facilitam a vida e a de minha esposa. E quantos presentes são necessários para que a gente tome tenência! Mas Deus os continua enviando, incessantemente, para nos fortalecer. E agora veio este grupo aqui, e esta homilia, para fazer de mim uma pessoa um pouco menos negligente para com sua própria vida. E ainda mais desejosa de comungar aos domingos e em outros dias também, se possível e recomendável!

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Ó querido solenóide

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A impressora estava com o “solenóide” grudado. Duas peças que precisam ficar separadas por padrão (e juntas somente quando o computador assim determinar) estavam grudadas porque uma espuminha de proteção que fica colada em uma delas derreteu-se com o tempo e transformou-se num grude. Neguinho erra no design das peças e quem paga é o consumidor.

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As pessoas, em geral, vivem a vida de maneira semi-consciente. Mas imagino que uma pesquisa revelaria que, em países como o Brasil, o nível de inconsciência é maior. Na questão dos preços, por exemplo, eu vejo os americanos analisando produtos e serviços e discutindo os diversos aspectos da relação entre o custo e o benefício de diferentes artigos que estão à venda; mas, quando faço buscas em português, é deprimente. O brasileiro não sabe analisar quase nada de um produto. Sua opinião sobre os artigos costuma ir muito pouco além de “eu o comprei para fazer tal coisa e ele a faz [ou não a faz], mas eu achei caro”. Ponto. E achar “barato”, só se o preço for ridiculamente baixo. A idéia que o brasileiro faz de preço é: está caro se sou eu que estou comprando, está barato se sou eu que estou vendendo. Então, vemos as pessoas cobrando preços exorbitantes por produtos e, principalmente, serviços supostamente VIP, ao mesmo tempo em que reclamam que tudo está caro (quando vem dos outros, claro). Isso é insanidade, inconsciência, burrice pura. Ninguém ganha dinheiro direito, porque não tem cliente e, em vez de abaixar o preço, aumenta-o achando que precisa “compensar” as perdas. Suponho que um americano daria gargalhadas se soubesse que o brasileiro deixa seu apartamento à venda por 10 anos até conseguir arranjar um trouxa que o compre, só porque não admite baixar o preço.

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Short Fiction 00001

Introduziu-se uma pausa no que estava fazendo, e durou tempo o bastante para que ele pusesse em questão todo o sentido da vida. Isso vinha acontecendo com cada vez mais freqüência, juntamente com um sensível aumento das horas diárias de sono. Era quase como se dormir fizesse mais sentido que estar acordado, neste mundo suspenso em que vivia, pacato, num idílio cerceado pela incerteza de um futuro que nem lhe importava, mas que se anunciava, de todo modo. Rezar o terço e dormir. Sonhar com a morte? Qual nada! Sonhava mil coisas, aventuras desconexas recheadas de símbolos enganadores. E acordava no outro dia cheio de uma esperança sóbria, burguesa. Enxergava, no dia que começava, todo um conjunto de oportunidades de fazer pequenas coisas pouco planejadas, dessas que são as que mais prazer nos proporcionam porque sabemos que um planejar demasiado é sinal de falta de fé na Providência. Mas será mesmo?

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Ler e amar

Muito importante este artigo. Aplica-se à literatura também. Não adianta ler, ler, ler, se não se aprende a amar o que se lê, do fundo do coração. Como fazer isso? Não sei. Mas, se uns conseguem, é porque deve ser possível. Uma das maneiras de amar é simpatizar, “empatizar”, mesmo com os autores mais alheios à nossa mentalidade. Nunca se deve ler sem se fazer um esforço ENORME para simpatizar com o que o autor está dizendo. Pode parecer difícil, quando se trate de um autor niilista ou anti-clericalista, por exemplo, e o leitor seja um católico fervoroso. Mas, se buscarmos lá no fundo de nós, certamente encontraremos um pouquinho de anti-clericalismo, certamente saberemos enxergar a parcela de verdade que há no que o niilista ateu está dizendo. E é isso o que importa. O resto vem como conseqüência.

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