Hotéis evangélicos?

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Fico sempre um pouco feliz e um pouco assustado com a presença infalível de um exemplar do Novo Testamento em um quarto de hotel. Posso afirmar com certeza que não me lembro da última vez em que fiquei hospedado num hotel onde não houvesse um desses em meus aposentos temporários.

Fico feliz porque a palavra de Deus ainda está presente neste mundo ateu, ainda que escondida dentro de uma gaveta. Por outro lado, assusta-me um pouco a ideia de que essa palavra só venha propagada por evangélicos, sob a forma da palavra de Jesus, Jesus, sempre Jesus.

Além disso, acho muito esquisito que isso ocorra em redes internacionais, como Accor e Meliá. Os administradores brasileiros desses hotéis claramente fazem uma “travessura” ao colocarem esses exemplares do Novo Testamento nos quartos, já que o fenômeno evangélico é fortemente brasileiro e é improvável que a matriz dessas redes adote como política a distribuição desses exemplares.

Curiosidade: em pousadas às vezes não encontramos o tal livro. Numa pousada bicho-grilo onde eu fiquei no interior do Rio Grande do Sul não havia nem vestígio da dita publicação. O que havia sim era um monte de mandalas e um cartaz, na entrada do lugar, anunciando uma palestra de um índio brasileiro sobre a “construção do consenso”, eufemismo para “respeito as diferenças, desde que todo mundo seja igual”.

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La leonilda

La leonilda

Nunca falo de minhas viagens aqui. Está certo que não são tantas. Não sou exatamente um daqueles viajantes inveterados. Gostaria de ser, mas minha $preguiça$ (entenderam?) não permite.

Bem, problemas à parte, meu sentimento quando viajo é de nostalgia de onde nunca estive. Isso eu compartilho com minha mulher. Sempre que conhecemos um lugar legal, imaginamo-nos morando lá. Faço essa observação porque nem todo mundo é assim. Muitas pessoas adoram viajar e sempre o fazem, mas não “merecem” os lugares, por assim dizer. Elas acham tudo lindo e maravilhoso, mas não entendem, não absorvem o espírito dos lugares por onde passam. Isso é bom e ruim para elas. Bom porque não sofrem (como nós sofremos) por não poderem morar em muitos lugares ao mesmo tempo. Ruim porque, bem, acho que não preciso dizer, é uma questão de enriquecimento espiritual.

San Izidro é um daqueles lugares onde eu queria morar por uns tempos. O lugar tem uma alma. Tem cara de lar doce lar. E não é por causa das mansões, mas por causa de uma simplicidade que quebra o luxo como um paradoxo inaceitável para as mentes igualitaristas. Aliás, Buenos Aires é um pouco assim.

Enfim, ali, na estação San Izidro do Tren de la costa, escapamos do shoppingzinho picareta para turistas, irrompemos do outro lado da grade e lá estava o restaurante La leonilda, onde comemos muita carne, papas fritas (caseiras, nada de pré-congelados), vino y helado de dulce de leche! Ah, e para terminar, um cafezinho, tudo incluso por 14 pesos (se hoje estiver custando 28 ainda está barato!).

A propósito, pode clicar na foto que eu deixo. Faz parte do meu serviço de divulgação de uma coisa que eu acho sensacional: “geotagging”, isto é, você pode marcar a localização de suas fotos em um mapa. Adoro passear pelo Google Earth, clicando nas fotos que as pessoas deixam no Panoramio. É como viajar sem sair de casa.